STF julga forma de escolha no governo fluminense, enquanto o Amazonas já vive os efeitos da renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza.

O julgamento que o Supremo Tribunal Federal fará nesta semana sobre a eleição de mandato-tampão no Rio de Janeiro ganhou peso imediato no Amazonas, após a renúncia simultânea do governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza, revelada em primeira mão pelo BNC Amazonas.
Na terça-feira (7 de abril), os ministros do STF vão decidir se a escolha do novo governador fluminense deverá ser feita por eleição direta, com voto popular, ou indireta, pela Assembleia Legislativa do Rio.
Embora o caso seja carioca, a discussão interessa diretamente ao Amazonas, que já enfrenta na prática a vacância dos dois principais cargos do Executivo.
Com a saída de Lima e Souza para disputar as eleições deste ano, quem assumiu o governo foi o então presidente da Assembleia Legislativa (ALE-AM), Roberto Cidade.
O detalhe politicamente relevante é que Cidade e Wilson Lima pertencem ao mesmo partido, o União Brasil, o que reduz o impacto de ruptura institucional, mas não elimina a disputa pelo controle político da máquina estadual.
A decisão do STF pode não alterar automaticamente o rito amazonense, mas tende a servir de referência para debates sobre legitimidade, formato de escolha e alcance político de mandatos-tampão em casos de vacância dupla.
No Rio, o Supremo discute uma tese que no Amazonas já é vivida.
Direta ou indireta: o que muda no Amazonas?
Se o Supremo entender que a vacância de governador e vice deve ser resolvida por eleição indireta em determinados casos, o peso das assembleias legislativas aumenta no processo de sucessão.
Isso reforça o papel político da ALE e reduz a participação direta do eleitor na escolha do mandatário tampão.
No Amazonas, a questão ganha contornos ainda mais sensíveis porque a vacância já se concretizou com a renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza.
Nesse cenário, a ascensão de Cidade ao comando do estado não representa apenas uma substituição administrativa, mas uma reacomodação de forças dentro do próprio campo governista.
O detalhe central é que Cidade e Wilson Lima pertencem ao mesmo partido, o União Brasil.
Isso significa que, embora haja mudança de comando, o grupo político no poder preserva influência direta sobre a máquina estadual, o que pode ter efeitos importantes sobre alianças, estrutura de campanha e disputa eleitoral nos próximos meses.